terça-feira, 8 de novembro de 2011

Jamil Aun



by Estefania Peroza 
7 de Novembro de 2011

Edunque!

Sinto ausência de suas frases de efeito, seus poemas e recitais, seus "viva", seus passos leves, sua cordialidade, sua vontade de viver, seu jeito sistemático, seu nervosismo pontual, sua vontade de comer toda hora como um passarinho, aquela pizza que não o deixaria passar da porta do céu, um babaganush que eu estava aprendendo com a mestra, um cappuccino fazendo das garçonetes amigas a quem ele daria um livro, de tomar um sorvete de qualquer sabor e conhecer vaca-preta, de comer sushi de palitinho pela primeira vez aos 90 anos de idade - e adorar!, de não ver enxergando, de ouvir sem ouvir, de perguntar como vão as vendas do dia e dizer para poupar dinheiro porque a velhice chega, de entender a complexidade da internet tendo passado por duas guerras mundiais e pedir para por tudo no google, de ter sempre uma palavra amiga para um momento difícil, ou não - e o silêncio ajudar, de pegar alguém novo na família com a piada do bonde, e chorar de tanto rir, de dizer "durmam com os anjos" todas as noites por volta das 9 horas, de lavar a louça inteira do café da manhã organizando item por item e deixando sempre o detergente exatamente no mesmo lugar, de separar todo o lixo útil com suas engenhocas, de escrever "cuidado, sr. lixeiro: vidro quebrado", de usar 25 guardanapos por refeição e tirar sarro de seu próprio babador, de ficar bravo cada vez que vê a comida cair de seu garfo porque não admite achar que está dando trabalho, de ter sede e sobretudo interesse por tudo o que é novidade, por querer votar, por ouvir tão ávido os livros que minha mãe leu, do sangue turco, do seu sininho, de amarrar o sapato com os pés sobre a cadeira...

Quer saber, vô? "Eu vou é durmi!".
Isso "marcô".
Porque "O senhor é que brilha!"

Nenhum comentário: