terça-feira, 30 de agosto de 2011

Think different



Um dos meus carros favoritos, que teve um dos meus pilotos favoritos.

Até comprei uma miniatura que achei por acaso, que está devidamente guardada no "organizado" báu de brinquedos da Valentina.

Uma breve história sobre coisas que acredito: pensar diferente.




Ken Tyrrell, dez anos depois
fonte: http://continental-circus.blogspot.com/ ()


Alto, algo desengonçado e amante do cricket. Chamavam-lhe "tio" e tinha num negócio de madeiras que sustentava o seu "hobby" de final de semana. Até que certo dia, a sua paixão tomou conta da sua vida, especialmente quando encontrou um jovem escocês no qual lhe deu fama e glória e no ficaram amigos para sempre. Esse homem chamava-se Ken Tyrrell e morreu faz hoje dez anos.

Muitos o apanharam provavelmente no final da sua carreira, como o velhinho simpático que tinha uma equipa muitas das vezes no final do pelotão. Eu pessoalmente tinha um certo fascinio por essa personagem, porque simbolizava de uma certa forma aquele espírito garagista britânico: copnstruir uma equipa pela sua paixão dos automóveis, não tanto para conseguir resultados. Mas por causa dele e da sua persistência que a sua equipa ficou na Formula 1 durante 28 temporadas, inspirando muitos outros, como Giancarlo Minardi ou Frank Williams. Minardi por nunca ter subido ao pódio, e Frank Williams viveu imensos momentos de glória, mas ambos tiveram - e têm - o espírito de Tyrrell.

A sua equipa era aquela onde todos queriam estar nos anos 70. E ele acolheu enormes talentos em inicio de carreira, porque tinha olho para eles. O primeiro foi Francois Cevért, mas depois veio Jody Scheckter, Patrick Depailler, Didier Pironi, Mike Thackwell, Michele Alboreto, Martin Brundle, Stefan Bellof, Ivan Capelli, Jean Alesi, Mika Salo. Mas também acolheu pilotos pagantes, cujo talento era inversamente proporcional ao tamanho da carteira. Slim Borgudd, Ricardo Zunino, Desireé Wilson, Julian Bailey, Olivier Grouillard, Ukyo Katayama, foram alguns dos pilotos que passaram por aí, dando o dinheiro que Tyrrell bem precisava no final da sua carreira.

Tyrrell meteu-se no negócio dos chassis por necessidade. Afinal de contas, era feliz com o negócio que tinha com a Matra, que lhes providenciou um fabuloso chassis em 1969, o MS80, que colocou na perfeição o seu motor Ford Cosworth, um dos dois elementos mais valiosos que tinha. O outro elemento valioso era um disléxico escocês chamado James Young Stewart. Jackie para os amigos. Só que no final de 1969, a Matra pediu-lhe para abandonar os Cosworth e aceitar os Matra V12. Stewart testou-o e não gostou. E como o "Tio Ken" gosta de ouvir o que os amigos lhe dizem, decidiu aceitar o conselho.

Depois descobriu um bom engenheiro, Derek Gardner. Tinham comprado um chassis March, mas achavam que poderiam fazer melhor e não ficar dependentes dos outros. Convencido, ele, Gardner e Stewart lançaram-se no Secret Project, montado na garagem da casa de Gardner. O veículo estava pronto em setembro de 1970, e tornou-se no chassis 001. E ano seguinte deu ambos os títulos a Jackie Stewart e à Tyrrell, e deu a Francois Cevért a sua unica vitória na Formula 1.

Depois do final da "era Stewart" e da trágica morte de Cevért em Watkins Glen, deu lugar a uma nova dupla, totalmente nova. Este novo começo pode não ter sido tão bem sucedido como o anterior, mas foi nessa altura que surgiu o carro mais original e mais revolucionário que a Formula 1 jamais conheceu: o P34 de seis rodas. Conta-se que Gardner contou a novidade a Tyrrell durante um vôo transatlântico, e após o terceiro copo de "whisky"... o chassis correu durante duas temporadas e deu uma vitória para Scheckter - irónicamante, odiava o carro - e capturou a imaginação de toda uma geração.

Contudo, o fato da Goodyear não querer desenvolver pneus de dez polegadas para as rodas da frente do P34 fez com que a Tyrrell se desinteressasse pelo desenvolvimento do carro, e tembém pela saída de Gardner da equipa. Apareceu depois Maurice Philippe, o primeiro de bons desenhistas e engenheiros que a equipa teve, e que culminou com a entrada de Harvey Postlethwaithe, que em 1990 desenhou o 019, o primeiro carro de bico levantado da história da Formula 1, e como acontecera 14 anos antes com o P34, capturou a imaginação de todos e inaugurou uma tendência.

Nos anos 80, resistiu terminantemente aos Turbo, perdendo competitividade a olhos vistos. Agarrado aos Cosworth, ainda vencia corridas em 1982 e 83, graças a Michele Alboreto nos circuitos citadinos de Las Vegas e Detroit. Em 1984, decidiu apostar numa dupla totalmente nova e inexperiente - Martin Brundle e Stefan Bellof - mas resistia aos Turbo, ficando inevitavelmente na última fila da grelha. Mas incrivelmente, conseguia pontuar quando a oportunidade surgia. No meio do ano, descobriu-se o "segredo": corria abaixo do peso regulamentar, que compensava, enchendo-o de água, que servia de lastro. Resultado: a Tyrrell foi a primeira equipa a ser excluida do Mundial de Formula 1, e os seus pontos conquistados anteriormente - que incluia um pódio de Stefan Bellof no Mónaco - foram retirados retroativamente.

No ano seguinte, rendeu-se às evidências: arranjou um motor Turbo, neste caso a Renault. Mas quando se anunciou a abolição desses mesmos motores, em 1986, foi o primeiro a colocar motores aspirados nos seus chassis no ano seguinte.

Ao longo dos anos 90, e com a chegada de cada vez mais dinheiro e de um outro tipo de organização, a Tyrrell parecia ser cada vez mais anacrónica, com dificuldades em arranjar dinheiro para sobreviver. Cada vez mais velho, e vendo que não havia mais ninguém capaz de colocar o barco para a frente após a sua partida, rendeu-se às evidências e decidiu vender a sua equipa à British American Tobacco em 1998. Esta virou BAR em 1999, que por sua vez deu a Honda em 2006, depois da Brawn GP e agora é a Mercedes. Longa viagem isto deu...

Depois da Tyrrell, a comunidade automobilistica britânica não o esqueceu. Elegeu-o como presidente do BRDC, o British Racing Drivers Club, e lá ficou por um ano até que lhe foi detetado o cancro que acabou por o matar, a 25 de agosto de 2001. Quem o sucedeu no BRDC foi o seu bom amigo Jackie Stewart, que por essa altura já tinha escrito a sua página na história como construtor. Mas o seu legado no automobilismo como construtor tinha ficado, e hoje em dia muitos consideram que a sua parceria com Stewart e Cevért uma das mais perfeitas da história da Formula 1.

sábado, 27 de agosto de 2011

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

10 coisas que aprendi com o mar

Assista com calma em tela cheia.

ten things i have learned about the sea from lorenzo fonda on Vimeo.


1. O mar vai te seduzir para o esquecimento.

2. O mar é inconcebivelmente maior do que eu.

3. O mar é um espelho. Se estou feliz, ele será feliz. Se estou triste, ele será triste.

4. O mar não sabe que horas são, porque o tempo repousa no mar mesmo.

5. O mar é uma criatura viva, e nenhum movimento de respiração é igual ao anterior.

6. O mar vai chutar seu traseiro humano, não importa o que aconteça, a qualquer momento.

7. O mar vai entediá-lo até a morte.

8. Ou pode fazê-lo se sentir uma criança de seis anos novamente.

9. O mar é céu e inferno, e uma alma vivente pode apenas adivinhar o que aguarda nas suas profundezas.

10. O mar sabe algo que não sabemos

Boa música

The Strokes
Under Cover Of Darkness


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O BOM MOTORISTA É O MOTORISTA MACIO

Por José Luiz Vieira - Motor 3, julho 1981

No frigir dos ovos o que importa é não ter acidentes. O ser humano quase sempre dirige como vive. Como na vida, porém, um disciplinamento correto de suas atitudes poderá torná-lo altamente seguro.

Durante a Segunda Guerra Mundial, em todas as bases aéreas americanas havia um quadro na sala dos pilotos que dizia:

There are old pilots. There are bold pilots. But there are no old bold pilots.
Ou, em português aproximado, "há velhos pilotos, há pilotos valentes, mas não há velhos pilotos valentes".

Essa mesma filosofia aplica-se bem aos "pilotos" da moderna guerra do tráfego - uma guerra sem quartel, em que os ases se degladiam ferozmente, tendo por armas não mais aviões, metralhadoras e bombas, mas automóveis, motocicletas, ônibus e caminhões.


Existem, para os estudiosos do assunto, dois tipos de dirigir: o dirigir ofensivo e o dirigir defensivo.

A diferença entre os dois modos básicos de se encarar a atividade de dirigir, pode ser amplificada facilmente. Qualquer um que já andou de táxi em São Paulo, num Fusca de frota, sabe o que é dirigir ofensivamente. Sentado precariamente no banco traseiro, meio agarrado aos restos de uma alça de ajuda junto à porta dianteira, os joelhos quase tocando o queixo devido à uma colocação desconfortável e perigosa de uma tábua que levanta o chão ao nível de soleira da porta, o pobre passageiro vê o imitador de Nelson Piquet à sua frente continuar acelerando até o último instante, jogar as patas sobre o pedal de freio com toda força, e ainda, por não ter dado tempo e distância suficientes, tirar uma fina num ônibus ou caminhão, e finalmente parar do lado direito de um desses veículos, que não terá meios de saber que aquele incômodo mosquito está pedindo para ser esmagado.

A agressividade deste hipotético motorista típico de frota reflete-se na maneira irregular de acelerar, frear, fazer curvas e mudanças de marcha. Se alguém colocasse um medidor de acelerações e decelerações nesse carro, veria que as curvas do gráfico não seriam curvas: seriam picos e vales violentos, desconexos.

O oposto a um motorista desse tipo seria aquele que, embora geralmente ande mais depressa que os outros quando a estrada está livre, tem, no entanto, a capacidade e o gosto de dirigir macio.

Suas passagens de marcha, embora rápidas, são quase imperceptíveis ao passageiro; suas freadas são calculadas a distância; sua aceleração é constante, por igual, suas curvas são calmas, silenciosas, confortáveis. Para conseguir dirigir macio, esse motorista está sempre olhando mais à frente do que os outros ao seu redor, antevendo problemas, resolvendo-os "a priori", evitando assim ser apanhado de surpresa e , talvez, reagir incorretamente. Ele dirigedefensivamente.

Ser macio: eis a marca do bom motorista. O verdadeiro bom motorista é aquele que sabe tirar o máximo de sua máquina, ser forçá-la jamais, e sem que seus passageiros se apercebam do fato.

A característica típica do motorista ofensivo é o de andar perto demais da traseira dos outros. Confiante em seus incomparáveis reflexos, ele anda sempre "colado", esperando que o da frente "dê uma bobeada". Ele aí vai passá-lo, fácil.

Se vier um Scania do outro lado, ele vai acabar jogando para fora da estrada o carro que estava começando a ultrapassar. Se o da frente frear de repente, sua freada vai ser tão estrepitosa que o quarteirão inteiro vai acordar. Ele estará atravessado na rua, xingando o "imbecil que não tinha nada de parar". Mais cedo ou mais tarde, a frente de seu carro vai virar sanfona.

O indivíduo agressivo por natureza é sempre um motorista também agressivo, que adora gritar imprompérios aos outros usuários da estrada, quando não fazer-lhe gestos "carinhosos". O curioso, porém, é que muitas pessoas que, em suas vidas não-automobilísticas são normalmente calmas, caridosas, polidas, ao sentarem-se ao volante de um automóvel tornam-se animais rosnantes e malévolos, perfeitamente capazes até mesmo de homicídio.

Fechadas violentas, para essa gente, é nada mais nada menos que "o que o outro merece". Mais cedo ou mais tarde, também, serão acidentados. Mas o pior é que estarão acidentando mais outras pessoas junto com elas.

Um motorista defensivo não se distrai: ele sabe que dirigir é uma tarefa de tempo integral. Olhando sempre bem à frente, percebe, à distância, um farol verde que está verde há muito tempo e portanto logo passará a vermelho; um carro que está começando a dar sinal de virar; um motorista que está colado demais à traseira de um outro carro; crianças brincando na calçada; buracos na rua; um motorista que está fechando a janela de seu carro e provavelmente vai sair pela porta esquerda; pés de pessoas que acabaram de saltar de um ônibus e vão passar, como galinhas tontas, à frente desse mesmo ônibus para tentar atravessar a rua, provavelmente correndo. Preparado para qualquer dessas eventualidades, o motorista defensivo raramente poderá ser causador de um acidente.

Não adianta brigar com o tráfego: se ele está ruim, o bom motorista sabe que o tem a fazer é ligar o rádio e deixar que uma boa música o mantenha tranqüilo. Se não tiver rádio, ou não tiver vontade de ouví-lo, poderá passar a ouvir seu próprio carro. É justamente nessas horas de tráfego ruim, com o carro mais quente do que de costume, que o veículo avisa seu dono de que não está totalmente bom de saúde. Acima de tudo, o bom motorista não abusa da buzina: sabe que altos níveis de ruído são fontes certas de irritação para si e para os outros.

Não é apenas na maneira de enfrentar o tráfego que o motorista defensivo se prova. É também na maneira com que evita os maus elementos das ruas e estradas. Se alguém cola à sua traseira, ele imediatamente sabe, pois usa seus espelhos retrovisores rotineiramente. Se tiver estrada, afunda o pé e "despacha" o perigoso. Se achar prudente não correr, imediatamente deixa-o passar, para que se torne ornamento do porta-malas de mais alguém. Se o "coladinho" não sair de trás, ainda assim poderá evitar consequências mais sérias simplesmente deixando mais espaço a sua frente; se for forçado a diminuir a marcha, poderá fazê-lo com menos violência. Muitas vezes, ao ver o indesejável "traseirista" especialmente colado, liga as lanternas traseiras. Quase sempre a reação é a mesma: de repente, aquela luz vermelha, ali no nariz do incauto, dá-lhe um tremendo susto. Ele tem certeza que foi a luz do freio e que o miserável da frente está enfiando o pé no freio. A batida parecer-lhe-á iminente. Ele freia violentamente, e fica com cara de bobo ao ver o da frente distanciar-se.

Em meio a tráfego rápido, o bom motorista nunca diminui muito a velocidade para entrar em outra rua. A manobra é feita o mais rapidamente possível, após ter avisado os outros usuários da via publica, a tempo mais que suficiente, de suas intenções de manobra, através do pisca-pisca.

Em tudo isso, o motorista conta com um instrumento importantíssimo: o seu carro, em muito bom estado de conservação e manutenção. Nâo apenas seus freios, pneus e direção estão bons, mas todos os seus avisadores, acústicos e ópticos, estão funcionando cem por cento. Suas lanternas traseiras, especialmente, são checadas visualmente todos os dias, pois não se sabe quando uma lâmpada poderá queimar um filamento. E ele sabe que é fácil olhar pelo espelho retrovisor, para ver se o reflexo das lanternas numa parede ou nos faróis e cromados dos veículos que estão atrás.

É claro que ser um motorista ofensivo é muito mais fácil do que ser defensivo. A tendência é essa mesmo. Mas, é também lógico que é muito melhor sair do comum, tornar-se bom em alguma coisa. No caso do automóvel, isso exige muita dedicação, muita vontade de aprender, muito desejo de melhorar seu próprio "status" como ser humano. O gostoso vem quando a pessoa percebe que começou a aprender. O orgulho que isso traz é garantia de querer mais. Pouco a pouco, torna-se convicto que que o melhor no automóvel é saber que se pode fazer o que os outros aparentemente não conseguem: ser seguro.

JLV

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Conveniência

Quando uma pessoa lhe lhe falar:

Ei você, todo mundo está indo naquela direção, você não vai chegar a lugar algum se continuar desse jeito! Veja só aquele fracassado! Ele foi por onde você está caminhando agora.

Ouça, mas siga seus instintos. Talvez seja só conveniência.

A grande farsa do Aquecimento Global #1

Aquecimento Global - Uma Farsa, por Luiz Carlos Molion

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

domingo, 14 de agosto de 2011

Se seu pai fosse um super-herói, qual ele seria?


Hoje deve ser Dia dos Pais e muito provavelmente estarei dentro de um avião fazendo uma longa viagem de volta para casa.

Eu não sou muito fã de dias comerciais. Acho que datas importantes são aniversário e Ano Novo. Mas para não deixar de fora também o meu dia, vou fazer um post respondendo minha pergunta.

Se seu pai fosse um super-herói, qual ele seria?

Se meu pai fosse um super-herói ele talvez seria o Super-Música.

Se ele pudesse ser também outro super-herói ele seria o Super-Cozinheiro, ou talvez o Super-Mecânico, quem sabe o Super-Tenista e possívelmente o Super-Leôncio (aquele do Pica-Pau).

Um Super-Piloto de Corrida, um Super-Chato, um Super-Madrugada, o Super-Pum, Super-Mercado, Super-Antiquário, Super-Legal e um Super-Coração Mole.

O Super-Filho, Super-Pai, Super-Avô, Super-Incompreensível, Super-C.E.T, Super-Bertioga, Super-Itatiaia, Super-Mergulhador e Super-Amigo.

Super-Vai com Deus meu filho!, Super-Vai com calma Marcelo!, Super-Lila Eu te Amo!, Super-Belina, Super-Inteligente, Super-Imbatível, Super-Teimoso e Super-Té.

Talvez não fosse nenhum destes e fosse só meu pai.

Um beijo. Feliz dias dos pais